24 hr Inclusive Challenge Gaia 2011

 

http://www.hhc.rca.ac.uk/4377/all/1/Porto-2011.aspx

Nos passados dias 3, 4 e 5 de Junho de 2011 decorreu em Vila Nova de Gaia o “24Hr Inclusive Design Challenge” orientado pela Professora Julia Cassim do Helen Hamlyn Centre for Design – Royal College of Art.

Esta iniciativa, organizada pelo Design Studio FEUP da Faculdade de Engenharia do Porto, envolveu várias entidades nacionais e internacionais – entre eles destaca-se o Royal College of Art e o British Council.

O British Council assumindo-se como defensor da Igualdade de Oportunidades, associou-se este evento custeando a vinda da Professora Julia Cassim a Vila Nova de Gaia.

Duas Empresas Municipais  – Gaianima e Gaiurb – juntaram-se também à iniciativa cedendo a primeira, o belíssimo Espaço do Convento Corpus Christi onde se realizaram a Sessão de Abertura e as apresentações finais dos trabalhos realizados pelas equipas e, a segunda 5 salas de trabalho dentro das suas próprias instalações, garantindo as melhores condições aos grupos para trabalharem durante 24 horas consecutivas.

A composição das equipas foi sugerida pela organização do evento tendo em conta o perfil dos participantes. Tentou-se que cada equipa integrasse um Designer de Comunicação, Designer de Produto, Arquitecto, Engenheiro, Estudante de Mestrado em Design e/ou especialistas dentro de outra áreas como a Terapia Ocupacional, Museologia, elementos dos orgãos autárquicos relacionados com Planeamento e Urbanismo. Cada equipa contou ainda com um Designer Partner, elemento de extrema importância no processo de Co-Design e de Design Inclusivo. O Designer Partner é uma pessoa (portadora alguma deficiência) com determinadas necessidades especiais que ajudou durante o Challenge a identificar obstáculos e simultaneamente participou no processo criativo da solução do mesmo.

O Centro de Reabilitação Profissional de Gaia foi essencial para encontrar-mos Designers Partners com perfil para cooperarem com as equipas dispostas a projectar em 24 horas uma solução para um determinado problema encontrado. Esses Designers Partners foram: Sílvio Nogueira – paraplegia; Susana de Sousa – tetraplegia; Fátima Mota – surdez; Manuel Henrique – dificuldades de locomoção e António Veiga – malformação dos membros superiores.

A cada uma das 5 equipas multidiciplinares, liderada por um Team Leader (Anselmo Canha, Paulo Bago D’Uva, Rui Costa, Pedro Martins Pereira e João Nunes) foi fornecido um Briefing que remetia cada uma delas para uma proposta de intervenção em zonas distintas, três com configurações semelhantes na frente de rio, uma com acentuado declive mas com vistas favorecidas para a Zona Histórica da cidade do Porto e Gaia e, por último, uma na rua de acesso às Caves de Vinho de Porto e parte residencial daquela zona.

No final das 24 horas de trabalho, cada grupo apresentou publicamente e perante um Júri composto por Carlos Aguiar (Design Studio Feup), Henrique Cayatte (CPD), Cristina Crisóstomo (CRPG), Gill Caldicott (British Council) e Teresa Barbosa (Directora Municipal das Vias e Mobilidade da Camara Municipal de Gaia) as suas propostas de intervenção.

O Projecto escolhido pelo Júri foi “Pátio” – da equipa nº 4, composta por Anselmo Canha, Ana Correia de Barros, Mário Barros, José Silvestre, João Moço e Sílvio Nogueira (Designer Partner) que explicam o seu projecto da seguinte forma:

 

 

Pense numa velha zona histórica junto ao rio. Pense em pavimento gasto e ruas inclinadas. Junte a isto um problema de cidadania e tem o ponto de partida para a necessidade incontornável de pensar em termos de um sistema de não de um só produto.

 

Pátio é uma mistura de soluções possíveis para as visões acerca destes problemas dadas pelo Sílvio, que usa uma cadeira de rodas para se movimentar. Testemunhámos a sua constante gestão de esforço (apesar de ser um atleta), a sua luta com o estacionamento descuidado e ilegal e a geral escassez de cidadania acrescentada aos seus problemas com os passeios estreitos, falta de zonas de descanso e incerteza acerca de se, de facto, as pessoas o vão ajudar quando ele pedir.

A solução que nós e o Sílvio criámos engloba uma espécie de plano urbano para reduzir o tráfego automóvel, para repavimentar as ruas existentes dando aos transeuntes o papel principal e para criar zonas frescas de paragem onde se pode descansar e conversar um pedaço antes de continuar a subida. Agora que a rua se converteu num percurso intuitivo, há sempre alguém por lá para conversar.

O pátio também prevê uma sinalética para encorajar as pessoas a descobrir o bairro, já que está numa zona privilegiada de turismo.

Qualquer pessoa do bairro pode ser do pátio. Basta juntar-se ao grupo de voluntários que oferecem uma mão amiga, seja para ajudar a levar os sacos das compras ou a cadeira de rodas. Para os encontrar procure o símbolo “eu sou do pátio”.

Um único pictograma – pátio – torna-se num símbolo de um trabalho colectivo em favor da mudança.”

 

A escolha do público conduziu à atribuição de dois prémios ex-equo ao mesmo Projecto “Pátio” distinguido pelo júri e ao Projecto “Gaia Onda” – da equipa 2, composta de Paulo Bago D’Uva, Alexandra Amorim, Rogério Santos, António Martins Pereira, Vera Augusto, Susana de Sousa (Designer Partner) e por Matt Dexter, investigador e aluno de Doutorameno da Sheffield Hallam University que veio propositadamente a Gaia para participar no evento.

Dada o muito bom acolhimento por parte dos participantes, nomeadamente dos técnicos de planeamento urbano envolvidos, dos processos de trabalho cooperativo e participativo que foram propostos, equaciona-se a realização de uma iniciativa semelhante em Lisboa e posteriormente noutras autarquias do interior do País.