O desafio da OLI aos “designers” da Universidade de Aveiro

Posted by on Nov 15, 2013 in NEWS | No Comments
O desafio da OLI aos “designers” da Universidade de Aveiro

OLI acaba de lançar um desafio aos alunos do 3º ano da licenciatura em Design da Universidade de Aveiro.

E não poderia ter começado melhor! Nos passados dias 4 e 5 de Novembro foram dias de encontros e discussão em torno do tema. Este desafio tem uma particularidade interessante… não é pedido aos alunos aquilo a que estão acostumados nas cadeiras de projecto. E o DESAFIO é? Pensar, debater, construir novos conceitos de WC inclusivo. Ou seja, no final a OLI irá premiar o grupo que se mostrar mais inovador e que consiga perspectivar novas abordagens aos WC’s sob o compromisso de conseguir satisfazer as necessidades do maior número de utilizadores possível.

A este encontro de dois dias, juntaram-se várias pessoas que contribuíram com a sua experiência para esta temática. De Londres, veio o Matthew White, colaborador do Helen Hamlyn Centre  (recomendado pela nossa amiga Julia C.). No dia 4, na Universidade de Aveiro, o Matt deu uma aula de 2 “horitas” durante as quais falou do seu percurso profissional.

No dia 5, o encontro estava marcado na OLI. Uns rumaram de norte e outros de sul! Eu diria que o Design Inclusivo é sempre um bom propósito para fazer uns bons km – espero que o Jorge Falcato e Renato Bispo nunca me cobrem o que acabei de dizer!

Depois dos Professores da UA, Teresa Franqueira e Rui Costa e o Carlos Aguiar (OLI e impulsionador do desafio + DIY) apresentarem o propósito do exercício, foi a vez do Matthew White falar sobre ‘design for extremes”, sobre técnicas de observação, focus groups, sobre o envelhecimento e a perda de faculdades, a importância da anotação diária de pequenos acontecimentos que muito podem contribuir para o nosso entendimento e resolução de problemas, e sobre os benefícios do contacto directo e auscultação dos clientes nas lojas.

De seguida, o meu amigo Jorge, lá mostrou uns slides (que ando para lhe pedir) e lá nos deu a “sua lição” à moda do Falcato! Falou de ideias pré-concebidas, da ideia de privacidade, de manuseamento, enunciou todos os elementos presentes em instalações sanitárias, das questões “ocultas” inerentes às questões que concernem o uso do WC por pessoas com necessidades especiais; sobre as diferenças entre WC’s públicos e privados, e ressalvou a importância daquilo que são as aptidões individuais das pessoas perante aquilo que são as exigências do meio, explicando com exemplos reais os constrangimentos, por exemplo, nas opções limitadas de restaurantes para quem usa uma cadeira de rodas.

Seguiu-se o Renato Bispo, que é tipo o  ”mano” do JF e ‘sr.’ do estigma no design cá do sítio. Dito assim, até soa a coisa abstracta mas quando começa a falar… ai ai ai… Mostrou-nos como é profundo o impacto da imagem pessoal no espaço social e como isso se relaciona com a auto-estima. E o modo como o WC pode significar um encontro com nós próprios – como espaço de conhecimento do corpo. Capacitou os designers de uma tarefa: devolver o mundo às pessoas! E reforçou a ligação entre os aspectos funcionais e os processos de significação negativa ou positiva.

A Dra. Marlene Rosa, mostrou como a Geriatria e o estudo da mesma nos podem fornecer informações relevantes quando necessitamos que dados concretos e quando o design vai para além de uma visão de ‘bancada’. A sua apresentação centrou-se nas implicações do processo gradual de envelhecimento, salientando os problemas de coordenação e outros ligados à perda de capacidades. Alertou ainda para as restrições espaciais quando o uso do WC é para mais que uma pessoa  – o ‘Cuidado’ e o ‘Cuidador’. Gostei particularmente de duas coisas: quando percebi que os profissionais de outras áreas também estão em concordância quando dizemos que há ainda uma conotação negativa e (muito) hospitalar em WC’s ‘acessíveis’; e quando sensibilizou para os formatos multissensoriais.

Em jeito de remate, eu e Cecília Carvalho (a nossa DIY) fizemos uma aproximação a uma questão prática no que concerne a testes de usabilidade e mostrando um pouco daquilo que temos vindo a desenvolver no estudo do sistema EasyMove, estudo esse que decorre de um protocolo entre a OLI, o CRPG e o DesignStudioFEUP.

O sistema EasyMove da OLI permite elevar e descer a sanita, assim como, as barras laterais e sistema de descarga para facilitar o uso da mesma. Para a realização de testes com utilizadores, foi instalado um sistema EasyMove no CRPG e com a ajuda dos clientes e disponibilidade dos técnicos que lá trabalham temos já algumas conclusões e pré-propostas. Porém, sendo que este é ainda um projecto em curso, tanto eu com o a Cecília focamos a nossa apresentação no conceito de ‘design(er) consciente’, na importância da consulta e recolha documental de testemunhos, da visão do problema pelos ‘extremos’ para soluções com mais amplitude e esperamos ter realçado que este projecto faz-nos sentir tão designers como se tivéssemos nascido com o apelido “Stark“.

No final destas apresentações, o Pedro Carvalho de Almeida, prontamente se levantou e fez uma bela síntese do que se havia dito. Aliás… recorri à cábula que gentilmente me cedeu para fazer este texto! Obrigada Pedro

Já depois do merecido almoço, que a Dra. Mariza Gomes providenciou para os ‘criativos’… seguiu-se uma visita à fábrica. À chegada os alunos tinham uma proposta dos professores da disciplina. Reunidos os alunos em grupos e com a ajuda dos convidados, em registo tipo speed dating lá se foram tecendo algumas ideias em torno do que se considera ser mais relevante para futuras abordagens centradas nos utilizadores (ideia que muitos teimam em rejeitar mas que já deu provas de eficiência).

Deixamos a OLI ao fim da tarde na esperança te ter contribuído para a formação e sentido crítico daquele grupo de estudantes.

Até Janeiro, data em que terão que apresentar resultados, desejo-lhes (alunos + docentes) um bom trabalho!